Sete poemas de Matheus Guménin Barreto em catalão (tradução de Josep Domènech Ponsatí) – Revista A Bacana – 12.6.2020

(Fonte: http://www.abacana.com/oficial/sete-poemas-de-matheus-gumenin-barreto-traduzidos-para-o-catalao-por-josep-domenech-ponsati?fbclid=IwAR18OpuWZMyxCWcKSxGN-PxHn8J8AjgZ7hGqIQpphKgTEwRzNGF3Xm2fsms )

 

Matheus Guménin Barreto (Cuiabá/Mato Grosso, 1992): poeta brasiler. Autor dels llibres A máquina de carregar nadas (2017) i Poemas em torno do chão & Primeiros poemas (2018).

“El poema madura i cau. 7 poemes de Matheus Guménin Barreto”

Del llibre A máquina de carregas nadas. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2017

Traducció de Josep Domènech Ponsatí

Petits Furts [2020-26]

 

Neste tempo
Neste tempo de horror
neste tempo
neste tempo sem tempo
de mãos crispadas e inverno nos dentes
de risos que não são
─ só o amor que há é o dos bichos
e o das memórias frescas
recém-cortadas.

 

En aquests temps
En aquests temps d’horror
en aquests temps
en aquests temps sense temps
de mans crispades i hivern a les dents
de riures que no existeixen
─ l’únic amor que existeix és l’amor dels animals
i el de les memòries fresques
acabades de tallar.

 

*

 

Poesia

Ou fruto apenas entre os dentes
prestes prestes prestes a romper-se.

 

Poesia
O fruit només entre les dents
a punt a punt a punt de trencar-se.

 

*

 

Gênese do poema
a –
O poema, ele amadurece
pendurado no céu da boca.
Incha, avermelha

e cai, sem aviso.

O poema amadurece e tomba
(mas amadurece por meses, por
anos, por décadas
por mortes e vidas
pendurado à garganta das gentes)

O poema, ele amadurece
pendurado no céu da boca.
E não ouse mão alguma
puxá-lo, que é força pouca
ou nenhuma

sempre.

Ocupa a garganta inteira,
amanhece na língua,
tateia seu lugar
e enfim, entre os dentes, já fruto
(abacaxi, pêssego, maçã)
inteiro salta o poema
ao tempo nosso da lida vã.

Ganha muito, o homem,
na digestão dos poemas.
Às vezes só viram fezes,
às vezes são chave e problema.

 

b –
Basta um pousar diverso
basta um passar de mão atemporal
para o
tempo presente os homens presentes
fixarem-se em Matéria Primeira.

 

Creació del poema
a –

El poema madura
penjat al cel de la boca.
S’infla, envermelleix

i cau, sense previ avís.

El poema madura i cau
(però madura mesos i mesos, anys
i anys, dècades i dècades
morts i morts, vides i vides
penjat al canyó de la gent)

El poema madura
penjat al cel de la boca.
I que cap mà no gosi
estirar-lo, perquè la força és poca
o cap

sempre.

Ocupa el canyó sencer,
es desperta a la llengua,
palpeja el seu lloc
i finalment, entre les dents, ja fruit
(pinya, préssec, poma)
sencer salta el poema
al nostre temps de la feina il·lusòria.

En treu molt profit, l’home,
de la digestió dels poemes.
De vegades només es tornen femta,
de vegades són clau o bé problema.

 

b –
Només cal un posar divers
només cal una manyaga intemporal
perquè
el temps present els homes presents
es fixin en Matèria Primera.

 

*

 

Primeiro
O toque mesmo nas coisas
para lembrar as mãos da
arquitetura limpa daquilo
que o mundo gestou.

A mão limpa, cartesiana, reta
pelas coisas
para tirar o pó sobre os nomes

sol, xícara, casca, ladrilho, pêssego, miséria

e tocar outra vez
como no Dia Primeiro
algo dos nomes
que vibre.

 

Primer
El propi toc en les coses
per recordar les mans de
l’arquitectura neta d’allò
que el món va crear.
La mà neta, cartesiana, recta
per les coses
per treure la pols dels noms
sol, tassa, clova, rajols, préssecs, misèria
i tocar un altre cop
com el Dia Primer
alguna cosa dels noms
que vibri.

 

*

 

Casa
O silêncio que contêm
os objetos da casa –
mesa cadeira tapete
panela livros,

o silêncio que têm
no interior
colhido nas longas horas em
que olho algum
lhes pousa na superfície,

o silêncio colhido
na atribulada solidão
que as coisas de uma casa têm e são

e que, assim, fazem-na
casa.

 

Casa
El silenci que contenen
el objectes de la casa ─
taula cadira catifa
cassola llibres,

el silenci que tenen
a dins
collit durant les llargues hores en
què cap ull
hi reposa a la superfície,

el silenci collit
en la desoladora solitud
que tenen i són les coses d’una casa

i que, per tant, la fan
casa.

 

*

 

Praia
A onda inacabável:
lição de eternidade.

 

Praia
L’onada inacabable:
lliçó d’eternitat.

 

*

 

Poema amarelo
a faca tem de ser eloquente
e falar sabendo o porquê

e falar o discurso de chaga
ferida
na carne que a faca lê

 

Poema groc
el ganivet ha de ser eloqüent
i parlar sabent el perquè

i pronunciar el discurs de nafra
ferida
a la carn que llegeix el ganivet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s